Rapidinhas



Eu tô sempre esperançosa que melhore, que flua, que aconteça. Mas uma hora a gente duvida da fé. Uma hora a gente cansa.

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Como é boba essa nossa mania de fazer planos. É plano pra isso, plano para aquilo. Listas imensas, tópicos, lembretes, avisos. Plano, plano. Não seria mais fácil viver sem pensar no amanhã? Viver, apenas. Acordar, levantar, fazer o que precisa ser feito, aprender o que precisa ser aprendido. Sem esperar nada além. Viver, apenas. Se relacionar, perdoar, entender que todo mundo falha e que a raça humana é mesmo cheia de desejos. Seria menos doloroso. Mas também mais chato e vazio, afinal, são os planos que nos dão a força necessária para seguir nosso caminho quando o mundo está sem cor.

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Se engana quem pensa que me conhece só porque me lê. Não me mostro tão facilmente. Tenho segredos tão bem escondidos que só revelo depois de confiar bem em alguém. E, olha, é difícil eu confiar numa pessoa. Já apanhei tanto da vida que tenho calos, marcas e cicatrizes. 

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Eu não sou meiga. É claro que sou educada e polida com quem gosto e não gosto. Só que meu jeito de falar é muito incisivo, não sou de dizer amém pra tudo, aprendi a dizer não, demoro um pouco a perder a paciência, mas se me tiram do sério eu explodo. Tem gente que chama isso de autenticidade. "É o meu jeito", dizem. "Sou sincera", reforçam. Eu não gosto de ser assim, detesto ser explosiva, queria ser mais tranquila, pois quando fico furiosa a cegueira toma conta e não há quem consiga dar um jeito. Daí eu grito e depois sempre me arrependo.

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Quando falo em fé não falo em Deus, mesmo porque cada um tem o seu. Não importa se você acredita em Santo Antônio, Jesus, Oxalá, Jeová, espíritos, Buda ou é ateu. O que importa é que você tem fé em alguma coisa, mesmo que esse alguma coisa seja você mesmo. A gente precisa ter algo que nos faça acreditar. 

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Nem sempre acredito no que escrevo, nem sempre minhas linhas são meu reflexo, nem sempre estou de corpo e alma no meio das letras. Eu sou muitas pessoas e isso facilita um pouco as coisas. Isso me ajuda a enxergar, a me distanciar e a me aproximar quando é necessário. 

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Olha, me desculpa a franqueza, mas não quero saber o que você pensa. Se eu quiser certamente vou te perguntar. Mas não precisa dar uma de amigão do peito, limpar a garganta e começar a falar tudo que você acha certo e errado na minha vida. Já sou maior de idade, minha carteira de vacinação está em dia, sei que tudo tem uma ação e reação. Guarda toda essa energia para melhorar o que está desencaixado dentro de você. Deixa que de mim eu sei.

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De vez em quando eu até tento me fazer de durona, mas meu coração é mais mole que mingau de aveia. Não acho isso ruim, só que muitas vezes acabo sendo legal com quem não presta. E no final quem sofre sou eu. 

Rapidinhas



Não sei mais o que fazer para você voltar. Então eu me pergunto: será que eu deveria mesmo fazer algo? Meu sentimento deveria bastar. Você saber que é importante pra mim deveria bastar. Cada demonstração de amor, afeto, lealdade deveria bastar. Se não isso não basta, talvez seja melhor que você fique onde está. Se eu não te basto, talvez seja mesmo melhor que cada um tome seu rumo. Mas dói. Só quero te dizer que dói.

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A vida nos prega mesmo peças. Até ontem você estava aqui, tão perto, tão por dentro das coisas, tão bem. E eu não sei direito em que momento tudo mudou, só sei que não mais nos reconhecemos, nos olhamos e já não nos enxergamos. Sinto falta do que fomos.

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Olha que curioso, sabe o que eu estava pensando? Quantas vidas seriam mais felizes, quantas pessoas seriam poupadas, quantos corações estariam em paz, quantos sonhos seriam realizados, quantos projetos dariam certo, quantos planos seriam concretizados, quanta paz existiria se todas as pessoas falassem o que realmente sentem e fossem honestas consigo mesmas e com seus sentimentos.

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E se algum dia eu te ligar e disser que sinto falta do que a gente era ou nem chegou a ser, por favor, me ignora. Desliga na minha cara, faz cara de paisagem, finge que a ligação está ruim, distante, pum, faz cair a ligação. Finge que eu não disse. Porque eu preciso te esquecer de uma vez por todas.

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A noite sempre aperta meu peito. É aquela saudade triste que me invade e lembra que estamos distantes. E não há nada, nada que possa fazer, pois você insiste em não olhar para trás. Espero que eu consiga olhar para a frente. Nem que seja por uns minutos.

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Nunca fui a mulher certa pra você. A gente não combina. Você gosta de rock, eu gosto de bossa nova. Você adora cerveja, eu gosto de vinho. Você é viciado em futebol, adoro torneios de tênis. Você gosta de sorvete, prefiro brigadeiro de panela. Você adora a praia e eu prefiro a serra. Você gosta de transar na pia da cozinha, eu prefiro fazer na cama arrumada. Você gosta de pasta de dente em creme, prefiro a pasta em gel. Você gosta de chá preto, eu prefiro chá branco. Você gosta da noite, eu prefiro o dia. Nunca ia dar certo. Nunca vai dar certo.

Esquece tudo que eu disse. E vem.




Guardanapos de bar




Eu estava disposta a lutar. Mas não posso fazer força por nós dois. Preciso tentar daqui, você daí. Precisamos unir as forças e fazer acontecer. Só que eu tentei multiplicar as minhas forças, já que você ficou de mãos atadas. Não deu, fracassei e entendi: o problema é quando a história é vivida por um, dentro de um. Daí é amar sozinho, é amor platônico, é amor que não rola. E não rolou.

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Eu quis te amar, mas você quis fugir. Fiquei sem entender direito, mas depois repensei as coisas: nem todo mundo está preparado e maduro o suficiente para encarar esse sentimento insano e intenso que é o amor.

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É cômodo amar quanto tudo vai bem. Quando você acorda e vai tomar banho, escovar os dentes, colocar uma roupa limpa. Quando você me dá flores, prepara o café da manhã, puxa a cadeira para que eu sente ao seu lado. Quando você diz que vai me dar aquele anel que eu fiquei de olho na vitrine da joalheria, me escreve um cartão cheio de palavras e rimas bonitas, me faz um cafuné, dá um abraço longo, cheira meu cabelo e diz que tem cheiro de chá de camomila. Quando dirige com a mão na minha perna, fica me observando cantar música brega, faz carinho com o pé no meu pé antes de dormir, coloca o braço por cima da minha cintura e diz vem-mais-pra-perto. Assim todo mundo sabe amar. 

Difícil é amar quando alguma coisa dá errado. Quando a casa está uma bagunça, quando as contas começam a crescer e o dinheiro diminuir, quando qualquer palavra vira ofensa, quando um silêncio se transforma em dúvida. Quando sobram palavras entaladas na garganta, quando falta um gesto que era pra ter marcado presença, quando o beijo é rápido, o olhar é vazio, o abraço é curto, as promessas falham. Quando o zíper da mala fecha e você não vai. Quando você espera por algo que nunca vem. Quando as expectativas começam a te sufocar. Quando os olhos ficam marejados ao lembrar do que podia ter acontecido, mas não aconteceu. Quando a porta bate, o tom de voz aumenta, a paciência se esgota, o humor não faz mais rir.

O primeiro Dia das Mães sem ela



A saudade não cansa de me visitar e trazer boas lembranças. É que é impossível não sorrir ao lembrar de você. Sua ausência dói, mas o que conforta é que sei que você está bem e olhando por todo mundo aí de cima. 

Sabe, as pessoas não deviam partir. Sei que cada um tem a sua crença e eu acredito que tudo tem um motivo, que a vida é feita de ações, consequências, escolhas e que um dia todo mundo volta a se encontrar, já que o corpo morre, mas o espírito vive para sempre. O que me consola é que vamos nos reencontrar na hora certa e você vai me receber sorrindo aquele sorriso cúmplice e bondoso de sempre. 

Lembro das vezes em que fiquei chateada pelas mais diversas razões e que com um simples toque no meu cabelo você mandava toda a tristeza embora. Tenho tantas boas recordações, mas isso me assusta, pois hoje só o que sobrou de você foram as lembranças. Tenho medo de um dia não conseguir mais lembrar de tudo, entende? E eu não quero que as lembranças fujam pela janela, quero deixá-las perto, inteiras, vivas, presentes. Então eu tento pensar que está tudo aqui dentro, tudo muito bem guardado dentro de mim. Essas coisas ninguém me tira. 

Sei que este ano vai ser difícil, pois é o primeiro ano que passamos sem você. Sei que minha mãe vai ficar triste, vai lembrar de você, vai chorar, vai relembrar tudo o que aconteceu e vai ficar com o coração inquieto. Também sei que meus tios vão passar pelo mesmo processo, assim como meus primos e todo mundo que te conhecia e te queria bem. É, vó, a saudade aperta o coração da gente. Aperta mais que sapato três vezes menor que o nosso pé. 

Nada do que eu diga ou faça agora vai amenizar esse gosto estranho. Mas quero que você saiba que nunca vou te esquecer e sempre vou te mandar as melhores energias e vibrações. Obrigada pelo tempo que passamos juntas e por todo o amor que você me deu. E um feliz dia das mães.


 
Sobre os créditos nas imagens:
Todas as imagens que ilustram o blog são retiradas da internet. De 2010 até agora, são extraídas do site weheartit.com
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©2005 Clarissa Corrêa | + Magda Nascher