Para a minha Mãe

Foto: Google amigo.



Todo mundo sabe que existem mães e Mães. Sei que nós estamos na semana do dia das mães, mas não me antecipei no texto, apenas na homenagem. Na verdade, sempre quis me antecipar. Quis nascer antes, o médico disse pra minha mãe bater um papo comigo e dizer pra eu ficar quietinha e quentinha dentro da barriga dela por mais um tempo. E assim fiquei. Quando criança, queria ficar acordada até mais tarde, aquela pressa absurda em viver e aproveitar cada segundo. Continuo assim: querendo muito, tudo, agora. Mas não vim pra falar de mim, vim pra falar da minha mãe.

Na hora da alegria, do medo, da farra e do aperto ela sempre esteve (e está) lá. Minha mãe é assim: está lá pra todo mundo, fica tão lá que esquece dela. É aquela amiga que segura a mão e o coração, o tipo de gente que você quer ter do lado pra rir e chorar junto. Porque ela é assim, faz a gente rir da vida quando tudo está um caco e faz a gente chorar falando alguma coisa bonita em qualquer momento alegre. Minha mãe sempre esteve comigo, tento lembrar de algum momento em que precisei dela e ela faltou e não lembro. Por isso, acostumei assim, com essa coisa boa de ter gente me segurando (tem coisa melhor que colo de mãe?). Porque a gente precisa de alguém pra segurar a gente. Minha mãe, que segura todo mundo, sabe que estou sempre aqui pra que, caso ela caia, tenha alguém pra ajudar a dar a volta por cima.

Ela sempre quis proteger a gente. Eu e meu irmão crescemos assim, protegidos da vida. Meu pai queria abrir as portas, ela queria nos mostrar a vida da janela. Uma forma maternal e delicada de não querer que a gente sofresse, aprendesse na marra. Minha mãe, na ingenuidade dela, achava que a gente não precisava errar, se bater, se estrepar pra aprender. Esse era um motivo de conflito lá em casa: ele queria nos soltar, ela não queria nos largar. Os pais, na verdade, sempre querem evitar que a gente se esborrache no chão. Meu pai ficava de longe, controlando, vendo os passos. Minha mãe queria andar de mãos dadas e coração junto. Porque ela é assim, pensa com o coração e quer estar ao lado de quem ama e controlar cada trajeto, pra ver se está tudo bem.

Um dia, depois de muitos anos, ela entendeu que por mais que tente a gente vai sofrer. A vida é assim, nem sempre é fácil e carinhosa com a gente. Um dia, ela entendeu que não dá pra fazer todo mundo feliz. Um dia, ela percebeu que nem sempre o outro vai retribuir o que você faz. E eu espero, de verdade, que um dia ela aprenda a se cuidar mais e melhor. Porque só a gente pode olhar pra dentro e se perceber. Feliz aniversário, mãe. Te amo um amor maior que o mundo. Que a tua vida seja feita de sorrisos e passos certos. Mas, se por acaso, em algum momento houver um tropeço, a gente se segura. E segue.




 
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©2005 Clarissa Corrêa | + Magda Nascher